terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O Rap, de lá pra cá

Sou das antigas, mesmo. Em 1987, Aguaí/SP, lá estava eu, varando madrugadas, dentro de meu quartinho escuro, com meu rádio gravador, fazendo “mó” gambiarra na antena pra conseguir sintonizar a Bandeirantes FM de São Paulo. Foi ouvindo uma música do Thaíde e DJ Hum, Corpo Fechado, no programa Balanço Geral, apresentado pelo Luizão da Chic Show, que deixei de ouvir o rock para ouvir o rap. Me identifiquei, mesmo. Naquela época, o conteúdo da maioria das letras era festa e descontração.
Nos anos 90, a coisa começou a ficar mais séria. O rap politizado começava a ganhar força nas vozes de Racionais MC’s, Thaíde e DJ Hum, Duck Jam e Nação Hip-Hop... Isso, aqui no Brasil. Em meados dos anos 90, acho que foi depois de uma apresentação no Programa Livre, no SBT (não achei nada a respeito, aqui na net, mas eu assisti, no dia), que o rapper Mano Brown anunciou que, na TV aberta, eles não apareceriam, mais. Achei uma pena, pois, lá de Aguaí, a TV era uma das pouquíssimas opções que teríamos de ver Racionais, entres outros grupos do gênero. Pois bem, fiquei mais de 1 ano só escutando rap em fitas k-7, vinis, fitas VHS e na 105 FM, quando não saia fora do ar. A MTV não chegava até Aguaí, na época. Mesmo assim, a gente se contentava em ver grupos como a dupla Thaíde e DJ Hum, Sampa Crew e Gabriel o Pensador (entre outros), em canais abertos.
Foi no final dos anos 90, que o Racionais voltou a dar as caras na TV. Os anos 90, pra mim, foi um ano de militância no rap. Quem era do rap, levantava a bandeira, mesmo. Parecia que o rap iria mudar o mundo. Influenciou, e muito, na educação do povo pobre periférico. Educou seus fiéis seguidores a se valorizarem, se amarem, a se informarem, a cobrarem de quem deve e a criticarem construtivamente, quando necessário.

Mais de 15 anos se passaram e muita coisa mudou. Hoje já é mais comum de ver o rap em programas de TV. Até em trilhas de novelas globais já é possível de se ouvir um rap. O Racionais não fez diferente. Recentemente, segundo o Milton Sales, o Brown falou que “a revolução acabou”, e que agora ele quer apenas dinheiro.
O Edi Rock, que aparece num vídeo dizendo que na Globo ele jamais iria, já se apresentou em inúmeros programas globais.
Há pouco tempo, num post de rede social, eu escrevi que o Brown tava um pouco tímido, mas, logo o veríamos em programas como o Esquenta e o Faustão. No domingo passado (27/12), passou, no Fantástico, trechos de um vídeo clipe de uma música que ele participou com o funkeiro Naldo Benny.
Isso não seria nada demais se eles, do Racionais, não tivessem pregado, no passado, que na Globo eles nunca iriam.
Acho que, no mínimo, eles tinham que se retratar com seu público, antes de entrar nos quintais da Globo. Isso não aconteceu. Falta de humildade e de consideração com seu público, por parte do Racionais. É natural que seus fãs os critiquem por essa contradição. Mas, já vi muitos artistas, personagens do elemento rap, falando que é errado criticar o Brown, depois de tudo o que ele fez e faz.
Quer dizer que o Brown tem o direito de fazer a merda que quiser e ninguém pode criticar? Tá errado isso. Quando um artista que eu sou fã faz algo admirável, eu elogio ele. Mas, se ele fizer algo duvidoso, não tem como elogiar ou me calar (quem cala, consente), depois de todo o senso crítico que o rap me passou. É aí que entram as críticas e autocríticas.

Eduardo FC – Depósito dos Rejeitados

Agora tem o Eduardo FC, com o mesmo discurso do Racionais, nos anos 90, falando que não vai aparecer na TV, e blá...
Tomara que ele não tropece na própria língua, como já aconteceu. Alguém já reparou que o Eduardo usa roupas de marcas gringas (caríssimas, no mínimo) e fala como se fosse um favelado pobretão? Na música Depósito dos Rejeitados ele interpreta um menino negro que sofre até umas horas por causa de sua cor negra. O Eduardo é branco e fala como se fosse negro. Desculpa, Eduardo, mas, pra falar por cidadãos que tem a cor de pele escura, o cara tem que ser, no mínimo, negro. Eu, sendo um negrão da pele preta, não me identifico, nem um pouco com essa letra. Muita ficção pra pouca realidade. Mesmo assim, respeito o trabalho de cada um. Só tô postando isso porque sou fã, tanto do Eduardo como do Racionais. Quero ver eles melhores, sem falsidade. O rap sempre foi contra tudo isso. Por que, agora, eles têm que mudar? 

O rap tá assim, hoje em dia, vários artistas, vários personagens (atores do rap)... e, tem muitos que ainda se iludem. Acham que o rap continua sendo um elemento sério do Hip-Hop. E até brigam pela causa, como se ainda tivéssemos vivendo os anos 90. Toma cuidado. O rap é revolucionário até entrar o dinheiro.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal é o terror para muitos animais

Se você, que vai passar essas festas de final de ano sem dinheiro e com as contas atrasadas, pensa que tá ruim, imagina como é para os animaizinhos comestíveis, como suínos, bovinos, aves, entre outros; que morrem para virarem feijoada, torresmo, chester... Se, pra você, Natal é festa de comilança e bebedeira, para esses animaizinhos citados, é o terror. Fica delicioso depois de pronto, mas, que dá dó, dá.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Espírito de porco à solta

Deu fome, aí eu fui no mercado buscar alguma coisa pra comer e beber, já que tá calor aqui. E hoje é sexta-feira, dia de tomar aquela cervejinha. Aí, eu tava no corredor de bebidas e tinha um casal lá, que eu nunca vi, escolhendo cerveja. Balancei a cabeça para eles e fui pegar a minha. Foi quando o marido saiu e a esposa ou namorada dele ficou e começou a puxar conversa comigo, falando que a cerveja que ela mais queria não estava lá. Dei atenção a ela, educadamente. Quando o marido dela voltou, ela saiu de perto de mim e foi na direção dele. O marido dela dá uns 3 Deís, de tão grande e gordo que é. Ele ficou me olhando feio. Peguei minha cervejinha, passei por eles e fui para outro corredor. Eu, hein! Tem muito espírito de porco por aí. E o dia, hoje, tá muito bom pra eu esquentar a cabeça.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A gente só é traído depois de confiar

Depois que pessoas muito próximas a mim me traíram, fazendo algo para agradar meus inimigos, hoje eu não confio em mais ninguém. Mas, também não sou deselegante de chegar em pessoas e falar: “não confio em você”. Isso é falta de educação.
Já aconteceu de eu ajudar uma pessoa que, no final, acabou me roubando. Nem fui atrás, porque foi coisa pequena. Em casa, essa pessoa não entra nunca mais. No final, ela acabou me bloqueando até no Facebook. Mas, já era.
Aí, você pega alguma coisa emprestada de um amigo e não devolve. Isso já é motivo deste seu amigo não confiar mais em você. Mas tem gente que é muito sem noção. Não reconhece que tá errado e, assim, não faz algo para se corrigir. Isso acaba prejudicando ele mesmo.
Dar calote no amigo é outro tipo de traição que pode ser encarado como furto. Conheço pessoas que estão tão acostumadas a dar calote que se irritam quando são cobradas, como se ainda estivessem na razão. Mas, essas pessoas perdem, e muito, quando a vítima do calote é uma pessoa mais próxima. De minha parte, todos que me deram calote ou levaram algo de casa e não me devolveram, nem voltaram pra me pedir mais nada, pois sabem que comigo não precisam mais contar. É aquele ditado, “quem deu o calote esquece. Quem ficou no preju, jamais”.
Mas, tem, também, aquele traíra que se faz de “amigo”, te escuta... Mas, no fundo, ele só quer ver o seu mal. Não guarda seus segredos só pra ele. Eu não guardo meus problemas só pra mim, porque sei que isso pode virar doença, tipo uma depressão. Mas, tomo “muito” cuidado com quem falo. Há pouco tempo, desabafei com uma pessoa que eu considerava um amigo de vários anos. Logo ele começou a abrir a boca sobre o que falei, pra pessoas que não precisavam saber. Até um dia eu entrar num grupo de Whatsapp e ver ele e amigos “dele” fazendo piadas de meus problemas, indiretamente. Pra um bom entendedor, um pingo é letra. O que eu fiz? Só me afastei. Nem naquele grupo eu entrei mais. Não o considero mais como amigo. De bobo, o negrão, aqui, só tem a cara, mas tem muita gente que não percebe. Os poucos amigos que tenho não se divertem com meus problemas. Meus inimigos já fazem isso. Mesmo assim, só exijo o respeito de todos eles.

Hoje, acho que, pior do que seu inimigo é aquele que finge ser seu amigo até te dar uma rasteira. Considero esse tipo um inimigo não declarado. Só desprezo eles. Como diria o rapper Edi Rock, “eu sei quem trama e quem tá comigo”...

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Deí - Brincando na Controladora (2015)

Tava à toa em casa e, então, resolvi fazer este set, só pra brincar. Dá pra ouvir e baixar. Confere aí.
01 Black Alien - Rock n Roll (ft. Edi Rock)
02 MV Bill - Cê é Louco (Prod. Beni ttk)
03 Eduardo - Depósito Dos Rejeitados
04 Éfeso - Na fé de Jó
05 Chali 2na - Stand Up
06 Silentó - Watch Me (Whip_Nae Nae)

07 Just Blaze x Baauer x Jay-Z - Higher (Extended Mix)

sábado, 28 de novembro de 2015

MV Bill - Contemporâneo (EP 2015)

CD novo do Bill tá pesado. Parece que ele não “se vendeu”, como muitos “do rap” dizem. Num tá nada simpático. Disponibilizei as 10 faixas separadas. Clica aí pra você baixar.


01 MV Bill - Incursão Policial (Prod. DJ Caique)
02 MV Bill - Menino do Tráfico (Part. Kamila CDD e DJ Luciano SP)
03 MV Bill - Guerra de Facção (Prod.  DJ Luciano SP)
04 MV Bill - Egresso (Prod. DJ Caique)        
05 MV Bill - ...
06 MV Bill - Cê é Louco (Prod. Beni ttk)
07 MV Bill - Só Deus Pode Me Julgar (Contemporâneo Mix)
08 MV Bill - Mulheres… (Maria da Penha Mix)
09 MV Bill - Brado Retumbante (Prod. Dj Caique)

10 MV Bill - Primo Matando Irmão (Prod. Dj Caique)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Falando de racismo, mais uma vez

Como estamos na Semana da Consciência Negra, bora falar de racismo, mais uma vez. Tudo o que vem para favorecer o povo negro é válido, para mim. Podem chamar cotas de esmola, e o que for. Para mim, serve de empurrão, num país onde o negro ainda tem que ser 2 vezes melhor do que o branco para ocupar o mesmo espaço. Nada mais do que justo. Quem é contra as cotas, para mim, é quem não quer ver o negro bem. Os racistas declarados ou não, tais como membros da Ku Klux Klan, White Power e Skin Heads Neonazistas também pensam assim. É comum, num país onde o negro é discretamente educado para ser branco, ver negro infeliz com a própria cor, conspirando contra si mesmo. É o famoso preto suicida. Lamentável isso. Um dia ele aprende que de inferior ele não tem nada e tudo não passa de coisa que puseram na cabeça dele. Eu também pensava assim até descobrir que tudo não passou de uma invenção católica com desculpa de ocupar terras negras, fazendo seus ocupantes de escravos. Foram só 350 anos. Clique neste link para entender. http://djdei.blogspot.com.br/2009/11/gracas-igreja-catolica-existe-o-racismo.html

Não sou de ficar falando de racismo, racismo e racismo. Não sou vitimista. Sou realista. Mas, quando tocam no assunto, gosto de falar o que penso, já que sei bem como é. Ainda acho que o branco não é uma pessoa certa para responder pelos negros. São 2 realidades diferentes. Como já disse o rapper MV Bill, preto e pobre é parecido, mas não é igual”. Quando alguém me fala, “eu não sou racista, pois tenho um amigo preto... Dá vontade de perguntar: “Você aceitaria que este amigo preto fosse seu genro ou cunhado?” Mas, nem falo nada para não esticar a conversa. Racismo, para mim, foi a pior idiotice que inventaram, até agora. As pessoas que são racistas, nem sabem por que são assim. O que justificava o racismo, no passado, era que o negro era inferior ao branco, certo? A ciência provou o contrário. Mesmo assim, ainda existem vermes racistas se proclamando raça ariana. Como que existe raça pura, se todos têm sangue africano correndo nas veias? A raça humana se originou na África. Ou tô enganado? Não dá para entender, né? É um problema educacional, familiar. Vem de berço. Parece um câncer. Se o negro é inferior, como que um negro conseguiu ser presidente dos States, por exemplo? Mas os racistas ignoram isso. Danem-se. Não tenho muita ideia com racista, não. Já sofri muito com isso. Só parei de ser discriminado diretamente, depois que comecei a bater de frente. Pelas costas ou virtualmente, eles falam o que querem. Frente a frente é diferente. Racismo é uma forma grave de desrespeito. Quem mais sofre com isso são os mais simples e humildes. Outra idiotice que já ouvi foi um branco falar que sofre racismo por ser branco. Como diria o rapper GOG, “meu ancestral sofreu. E o seu?”